domingo, 22 de abril de 2012

É chegada hora


Pfacco22042012-13886.jpg
Reler textos passados é reviver um ser que habitou sua alma por um período de tempo.
Como pode ser tudo sempre tão diferente? Como a paz nos tempos de cólera pode ser o maior desejo, se o desejo mais íntimo sempre foi a sede pela paixão mais intensa, pelo coração descompassado e pelos olhos cheios de brilhos e esperança?
É bom ser todas as fases do ser, mas  o mais curioso é que as vezes me reconheço  mais em meus textos antigos do que em minhas maneiras cotidianas. Sempre que escrevo, cavo fundo, busco razões, significados e motivações. Quando apenas vivo, me esqueço, tento ser lógica e fazer da dor um lugar estranho e longínquo. Sinto-me apática, mais um ser cinza, sem poesia nem charme, jogado num canto sem graça qualquer.
Sei que não devo procurar a dor, mas fugir dela é mesmo o melhor caminho?
E não estou falando em comodidade, zona de conforto, estou falando de dor. Desse sentimento esquisito despertado(nesse caso) por circunstâncias que posso evitar. Devo fugir, como estou fazendo? Ou não? Devo fingir uma disposição para qualquer resultado que já é sabido que apenas vai me causar chateação?
Meu coração é outro, ele está saturado, cansado, será que passar por cima dele mais uma vez é a melhor escolha? E se sim, para quem? 
Está bem, não há duvida, estou apenas argumentado afim de me justificar para mim mesma. Nunca liguei por sofrer, mas é importante reconhecer quando se está nesse estado em vão.
No mais, não há caminho sem dor, apenas é preciso escolher que tipo de dor que se quer ter. A minha escolha é pela dor finda e justificável. Passar por um período dolorido, com uma grande ruptura para depois se sentir outro, novo: Sarar de vez e ter ao superar essa dor, evoluído vidas inteiras. 
É hora de cicatrizar o peito e prepará-lo para inaugurar outros tipos de amores: é certo que vai doer, mas será uma dor nova e tudo que é novo me interessa muito. Sacrifício sem motivo não passa de sadismo.  Fim à dor estéril e a seu loop recorrente.
Suspiro descompassado, sobram-me penas: Esse meu sentir parece infindo. Coração fique de fora dessa vez, é tempo da mente, da razão e da falta de apego a histórias passadas... 


Por Pamela Facco

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Antes mesmo


Pfacco13042012-13665.jpg

A escuridão dos dias frios
Amanhece entrelaçada em minhas pernas.
O vento dolorido deixa-me como morta,
Tão estática e imóvel como naquela noite em que tudo desmoronou.

O som da escuridão deixa-me aflita,
Seus ruídos discretos me agridem como gritos agudos e desesperados.
Como pode não ter restado luz alguma de todas aquelas recorrentes madrugadas?
Para onde levaram o brilho das estrelas?
E o dos meus olhos...?

Os dias negros,
As noites opacas.
Tudo muito escuro
E frio.

Seus olhos são os mesmos,
Mas agora é tão diferente.
Não sobrou nada,
nenhuma migalha de homem,
nem nenhum pedaço de encantamento;
vejo apenas cinzas frias por todo canto em que te procuro.
(Porque ainda te procuro em mim?
É tudo tão falso,
até meu desejo de sentir que não sinto mais nada...)

Sinto meus olhos arderem
E enquanto culpo a força da ventania pelo meu olhar úmido, quase choro.
Meu peito está cheio de cinza, calado, opaco e também frio.
Tudo já está muito frio
E eu só desejo sentir ainda mais frio,
O máximo possível...
Tanto até não sentir mais nada.

Sinto necessidade de subir na torre mais alta,
Do dia mais escuro e
Sentindo o frio mais intenso
me encolher como um feto:
Manter-me-ia assim...uma, duas, três estações inteiras...
Gelada,
Assistindo o tempo correr,
Sentindo meu coração esvaziar por completo
até você morrer.

Morra, vá para sempre e de uma vez.
Eu já deixei de suportar qualquer coisa sua em mim há décadas,
Antes mesmo do primeiro frio,
Antes mesmo de te conhecer.








Por Pamela Facco

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Te amo também!


Degraus

Hoje é meu aniversário, dia em que quase que sem querer acabo fazendo um balaço geral: Sobre o que passou, sobre o que ficou e sobre o que não sobrou também. 
Não é dia de promessas, de mudanças, não é dia de esquecer nada: é dia de reconhecer, de transbordar, é um dia delicioso para receber carinho, palavras quentes e mais uma nova oportunidade para dizer que eu os amo muito também.


É dia de ser cordial com as manifestações menos profundas ou sinceras, com os desejos entalados e com qualquer coisa desimportante que eu já aprendi a relevar.


Hoje é um dos dia que eu quase acredito em Deus, porque eu sinto a minha vida como um quadro colorido e feliz, porque me sinto como sendo sua filha predileta, como se eu fosse a caçula mais mimada e adorada do mundo, aquela com a maior habilidade em ver o lado bom e fazer de qualquer coisa poesia...no entanto, minha humildade(ainda que pouca) não me permite acreditar que Deus tenha me feito para ser tão mais feliz que outros tantos, acho mais plausível acreditar em sorte, acaso, luta, criação, antepassados, energia cósmica, qualquer coisa que não justifique a péssima distribuição de possibilidade de ser feliz entre os homens. Eu não acredito em Deus, mas se ele existe ele acredita muito em mim e faz questão de provar isso todos os dias.


Eu gasto muito do meu tempo observando gente: o jeito, os gestos, a postura, os amigos, a importância que dão as coisas, a maneira como não olham para o lado, para fora, para dentro...ou mesmo, a maneira que olham para todos os lados, quinas e planos sem conseguirem enxergar nada...Outro dia tomando um chá com um rapaz ele me diz sem olhar nos meus olhos, olhando fixo para o movimento da rua que nunca havia parado para pensar na vida. Achei graça, ele sem duvida nenhuma estava a pensar na vida. Apenas ri e o deixei achando que pensar na vida é muito mais complexo do que o simples fato de pensar na vida...

Fico com pena ao conversar com alguém e perceber que essa pessoa não tem grandes laços, fico com o coração em pedaços só de imaginar uma vida sem irmãos de alma, sem aquelas pessoas que você tem uma identificação quase que espiritual. Eu tenho os meus e os devo grande parte da minha alegria.

Hoje dia de fechar mais um ciclo e agradecer por tudo que já vivi, mas mais do que gratidão ao passado é dia de contemplar o que do passado ainda é presente e que certamente será o meu futuro.

Gratidão a minha família, aos meus amigos e aquilo que nos juntou.






Por Pamela Facco

quinta-feira, 29 de março de 2012

Poética dos riscos






Riscos brancos no céu azul: Ainda estou para descobrir o efeito que essa poesia tem em mim. Curvas, intersecções, traços, danças e devaneios, parece sempre ter uma nova musica branca tocando lá em cima. Estou experimentando a tranqüilidade de uma rotina pacata e a ânsia aflita por mais marcas brancas no azul de sempre.
Eles são lindos, incrivelmente lindos, mas ainda assim, nunca me satisfazem. Estou sempre a pensar porque ele está tão alto, ou tão reto, porque se enroscou nos fios negros, porque escolheu essa direção e não a outra, porque está tão distante dos pássaros, ou porque ele dança sozinho...Eles nunca riscam exatamente como eu gostaria, deve ser por isso que eu os olho tanto, que me encantam tanto: pela espera.
Para quem sabe um dia eu participar de uma dança curva à dois.


Por Pamela Facco

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Urgência das coisas simples


















As atitudes das quais eu tenho maior remorso, são demonstrações de antipatia, mau humor e descaso. Fecho os olhos e o meu peito se aperta de uma angustia severa por ter ignorado uma pergunta doce, por ter sido ríspida à uma brincadeira inocente, ou ter escolhido naquela hora ficar de canto em companhia daquele mau humor solitário.
A minha salvação é que eu tenho alguma critica sobre isso e que na medida do possível eu tento ser alguém mais atenta as levezas e doçuras que me tocam.
Direito a mau humor? Claro que não, que coisa mais egoísta.
Alegria forçada também não vale grande coisa. Muita respiração, meditação e compreensão da urgência de estar sinceramente de bem com a vida.
Quanta falta de paciência eu tenho, isso deveria ter remédio. Tomaria potes e mais potes... A irritação é hormonal? Só pode!
As vezes me pego escrevendo frases amargas, reclamonas e infelizes, mas antes de concluir o pensamento, respiro fundo apago tudo e penso não ter o direito de transpor o meu mau humor para o dia de alguém. Tomo um copo de água, penso em outra coisa e relevo. Que trabalhoso é ser uma pessoa agradável (mas acho que vale o esforço)!
Seguidos esforços, com o tempo viram hábito e com mais tempo já nem trabalhoso é, já faz parte, já compõe o ser. Uma virtude que não vem de berço, mas que tem muito mérito, ser quem você gostaria de ser (uma missão eterna!).
Acredito que todas as qualidades de uma pessoas vem de um mesmo ponto, dessa poesia de ser leve, da graciosidade de ter sincero prazer por sorrisos, desse amor incondicional à tudo que tenha coração.
O mundo tem verdadeira urgência do valor às coisas simples:
Fiz uma lista de coisas urgentes e vou seguir: meta de 2012.
1- Jamais ignorar uma criança tagarela.
2- Por mais cedo que despertar ser capaz de desejar sincero bom dia.
3- Por mais rotineiro que for o beijo ter consciência do seu valor.
4- Saber que seu amigo mais antigo tem total direito de brincar de te afogar no mar, por mais pentelho que pareça.
5- Jamais abrir um pacote barulhento de bala sem oferecê-las as pessoas a sua volta.
6- Não xingar igual um louco histérico no trânsito.
7- Dar carona à uma mãe com seu filhote de colo se a chuva estiver para cair.
8- Ser mais gentil que o normal, até isso ser normal!
9- Quando não tiver nada de bom a falar, simplesmente não falar.
E por ultimo e sendo redundante:
10- Se não for somar, por favor, não subtrair. =)








Por Pamela Facco

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Gratidão

30 segundos...

Acho graça, sinto vontade de soltar seguidas gargalhadas (sinceras) pelo rumo que a vida vai, quase que sozinha, tomando. Ao término de um fim de semana delicioso o que é de mais valioso se coloca a um nível superior e impera quase que exclusivo, no meu ser.
 O espaço é limitado, não vamos mentir que cabe qualquer um.
Não cabe, visitantes até que são bem vindos e obviamente executam o seu papel: geram inúmeros aprendizados...trocamos, re trocamos, somamos...mas sinceramente, não cabem, não ficam! É tanta gente, pessoas, grupos...
Dentre todos eles os que sobram são tanto, que é quase que impossível dizer o quanto.
Preenchem de uma forma tão doce e morna, que quando alguém pergunta de amizade eu só penso nisso, nessa sensação de proteção e cumplicidade nesse cuidado e carinho cômico, nessas histórias que nos construíram como indivíduos e como grupo. Eu sou tão grata à esses seres tão imperfeitamente perfeitos para mim que não me canso de os bajular.
Já escrevi anteriormente sobre laços e sobre pessoas que não são para vida toda, não é descaso, nem desdém, não desmereço nenhum pouco os amigos, afetos e amores que já não são mais presentes nem relevantes em mim, acho que todos eles tiveram uma enorme importância na construção da minha história, personalidade e comportamento, reverencio com a maior sinceridade à todos eles, mas não me prendo a nada mais do que a memória. Eu não sinto muito que as coisas tenham acontecido de maneiras à causar o rompimento, eu não sinto mesmo! Eu sinto é alivio por saber ser feliz com o tudo que a vida me deu e não lamentar pelo que eu acho que me falta.
O afastamento permite uma visão mais clara de tudo, não camufla os fatos com sensações e projeções. Nos leva a reconhecer em quem nos era tão próximo e querido, faltas graves de caráter e sentir uma enorme e estranha paz com a distancia.
Quem não tem a somar só tem a subtrair, principalmente quando finge somar...
Eu não sou uma pessoa de guardar rancor, mas também não sou de guardar platonicamente um amor. Amor é para dar/viver, não é apenas para sentir. Se não há corpo, alma, olhos ou brilhos a serem trocados não há amor, não há paz.

Espero que a vida siga assim desse jeitinho,
apenas mantendo o que há de melhor e mais verdadeiro,
apenas me deixando próxima daqueles com alma profunda e mãos macias.


 


Por Pamela Facco

sábado, 14 de janeiro de 2012

Branco

Solitarismo

Não foi fácil pegar uma situação dura e criar nela uma zona de conforto, mas no final das contas foi muito mais simples do que a excluir de vez. Fiz uma parede de proteção  composta pelas impossibilidades e por tudo que nela se fez estéril, até consegui desse modo ser feliz. Eu sempre consigo estar bem e não me parece grande mérito visto as seguidas fugas e fraquezas que elas representam.
Nada disso é complicado de entender, nessa altura, é tudo muito claro, muito mais claro do que eu gostaria que estivesse. Tomar uma atitude continua sendo fácil demais, agir é muito simples...complexo é incorporar essa mudança de dentro para fora, ser sincero consigo. Berrar, surtar, correr, não vale um silêncio convicto de seu significado. De que adianta sumir para depois voltar? Berrar para mais tarde se desculpar? Calar por pura birra? Para quê? Deixo o show para os palcos.
Eu queria mesmo é ser invisível.
Queria que os meus olhos não brilhassem mais do que por alegria.
Queria que a minha voz saísse sempre no mesmo tom e que eu pudesse encarar qualquer um da mesma maneira doce com que acaricio um cachorro manso.
Tem tanto sentimento que não me cabe, mas me pertence, me toma, me suga; Sinto um enorme aperto desconfortável que pode ser denominado de qualquer coisa indigna de se sentir(não quero me perder para decodificar algo ruim, é ruim e ter noção disso já basta).
Procuro o meu poder sobre mim, o encontro, mas não sei resolver de modo diferente a fugir ou a me atropelar.
Atropelo-me para não ser fraca.

E para que?
 


Por Pamela Facco

quarta-feira, 30 de novembro de 2011



Como é dolorida a sensação de um termino antecipado, sentir que não pude ser melhor nem compartilhar o meu melhor. É horrível saber que havia muito mais a ser trocado, muito mais além do óbvio, das técnicas e agilidades...havia mais tons a serem descobertos, mais cores e texturas a serem provadas.
É triste, mas em pouquíssimo tempo o peso pesou além da sua medida, as agressividades cotidianas superavam a linha do razoável e ainda assim foi possível alimentar um grande carinho por todos eles. A minha razão berrava que isso não podia fazer sentido, mas havia alguma explicação não fácil de ser dada que queria estar lá(que ainda quer estar por perto). Não é interesse material, nem social é quase que espiritual (Foi como ver um vaso cheio de terra e ter sementes nas mãos...)
Eu não seria capaz de largar mão disso por mais duro que estivesse, se as coisas fossem um pouco mais humanas. Nada me tira mais do meu eixo do que a falta de bom senso das pessoas, é preciso ser razoável, ponderar e estar aberto para compreender. Não é porque sempre foi assim que isso seja o correto, não é porque você se acostumou a passar por cima de você mesmo para resolver problema dos outros, que todos devam fazer o mesmo. Trabalho é uma coisa, servidão é outra.
Onde eu quero chegar? Não sei ao certo, só sei que esse não é o caminho. Onde quer que eu lute para estar, a minha prioridade será a trajetória, afinal os fins não justificam os meios.
É certo que a vida se faz do presente e se ele não vai bem o futuro não pode ser muito melhor. A saúde não pode ficar pelo caminho, o amor não pode ser deixado de lado e as suas necessidades emotivas e sociais tampouco.
O trabalho é uma parte da vida, não toda ela, nem metade dela.
O tempo passa muito rápido e quais são suas lembranças mais fortes? do trabalho? Acho que não, né?
Estar bem para mim, vai muito além de status social e de conta bancária; estar bem ao meu ver é simples, basta estar em paz consigo e com o próximo também.






Por Pamela Facco

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Educação?

Até quando o corpo pede Um pouco mais de alma

“Descreva-se em três palavras:”
“Que difícil...”
Claro que não era possível descrever-se assim. Isso não era mais que uma pergunta de alguém que tinha muita preguiça de conhecer a si próprio e o outro e a todos os outros também.
Quem já parou para pensar que nem mesmo milhares de adjetivos são capazes de descrever as complexidades de uma alma, saberia fazer uma pergunta mais fluida, para que dependendo da profundidade, humor e paciência, o entrevistado fosse capaz de introduzir à resposta uma personalidade mais fiel a realidade da sua compreensão de seu ser.
Todas as pessoas parecem iguais quando respondem perguntas limitadoras. Que tempo mal gasto esse, para ambos. Para além de ambos (uma vez que essa entrevista será publicada).
Certa vez tive o prazer de ouvir uma palestra do fotografo Miguel Rio Branco onde ao seu final algumas perguntas foram feitas, para as perguntas idiotas ou irrelevantes a acidez e sinceridade do artista foi algo que me trouxe uma grande admiração e alguma reflexão: Como é difícil respeitar o outro e ao mesmo tempo respeitar a si próprio sendo coerente com suas práticas e sentimentos, não se curvando aos rótulos e clichês sociais. Não sei se trata-se de ser grosseiro, mas quando não há duvida real(digo de retóricas ou especulações) não há pergunta a ser respondida.
Quem quer saber quem você é ou qual é o seu alimento, não se contenta em fazer uma pergunta sem olhar nos seus olhos nem medir suas oscilações e brilhos.
Não se trata de poetizar uma simples entrevista, mas se o ser humano é de sentir como descobrir quem ele é sem reparar nos seus tons?

Na verdade acho que tudo, a vida toda não passa de poesia.
 


Por Pamela Facco

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Laços e não laços (ou quase laços e quase não laços...)


Movimento

A gente pode não estar pronto para tudo e seguramente, nunca estaremos.
Acredito que ter a consciência da nossa impotência é muito mais maduro do que acreditar-se totalmente preparado para as infinitas circunstâncias da vida. No entanto, ter essa sabedoria não implica nem justifica a falta de ação. Não é plausível sermos imparciais sobre os nossos próprios assuntos, escolhas e relações por medo de errar. Quem não escolhe, quem se abstém, já está fazendo uma escolha: A escolha de não escolher o seu próprio rumo ou destino.
O tempo passa e conforme ele corre percebemos ao olhar para o lado, ao olhar para trás aquelas pessoas que sempre estiveram e estão ao nosso lado. São laços que têm inúmeros porquês de permanecerem: conforto, paz, alegria, sintonia, intimidade, ideal e também incontáveis sensações indescritíveis de parceria e amizade. Há tanta gente, são tantos que passam deixando coisas, levando pedaços...É tanta gente que já foi e ainda terão tantas que circularão em nós, diante de nós com o único destino de partir, que não ouso mais lamentar essas perdas.
Agradeço as pessoas que ajudaram a construir quem eu sou, mas também não vou me prender àquelas que já não me trazem nada além de desconfortos, apenas por um passado, por uma história. Assumo ser mais tolerante, mais complacente aos antigos laços. Eles tem uma grande importância e razão de ser em minha trajetória, mas eu canso e não sinto grandes culpas em deixar para lá. Por um tempo? Para sempre? Quem vai saber...?
As pessoas mudam, se mostram ou a gente mesmo as descobre, e logo, passam a não mais fazer parte do que queremos para nós, do que nos agrega ao compartilhar idéias e momentos. Posso estar errada, sempre fui muito precipitada em agir. Sempre pequei pela ação e sinto-me bem errando sempre por escolher o que será da minha vida e quem estará nela.
Tem gente que não faz mais sentido e que nem me causa mais dor no coração dizer que já passou, ou que por hora não dá.
Não sinto falta de novas pessoas como sinto que à algumas pessoas falte, mas sei que sobram algumas e nesse caso, sobras incomodam muito mais do que faltas.
É importante estar aberto ao novo, mas é mais importante ainda saber ser com calma e sem afobação uma pessoa que tenha a habilidade em criar vínculos, eu acho que tenho.

E ao contrário também.



Por Pamela Facco