Reler textos passados é reviver um ser que habitou sua alma
por um período de tempo.
Como pode ser tudo sempre tão diferente? Como a paz nos
tempos de cólera pode ser o maior desejo, se o desejo mais íntimo sempre foi a
sede pela paixão mais intensa, pelo coração descompassado e pelos olhos cheios de
brilhos e esperança?
É bom ser todas as fases do ser, mas o mais curioso é que as vezes me
reconheço mais em meus textos
antigos do que em minhas maneiras cotidianas. Sempre que escrevo, cavo fundo, busco
razões, significados e motivações. Quando apenas vivo, me esqueço, tento ser
lógica e fazer da dor um lugar estranho e longínquo. Sinto-me apática, mais um
ser cinza, sem poesia nem charme, jogado num canto sem graça qualquer.
Sei que não devo procurar a dor, mas fugir dela é mesmo o
melhor caminho?
E não estou falando em comodidade, zona de conforto, estou
falando de dor. Desse sentimento esquisito despertado(nesse caso) por
circunstâncias que posso evitar. Devo fugir, como estou fazendo? Ou não? Devo
fingir uma disposição para qualquer resultado que já é sabido que apenas vai me
causar chateação?
Meu coração é outro, ele está saturado, cansado, será que
passar por cima dele mais uma vez é a melhor escolha? E se sim, para quem?
Está bem, não há duvida, estou apenas argumentado afim de me justificar para
mim mesma. Nunca liguei por sofrer, mas é importante reconhecer quando se está
nesse estado em vão.
No mais, não há caminho sem dor, apenas é preciso escolher
que tipo de dor que se quer ter. A minha escolha é pela dor finda e
justificável. Passar por um período dolorido, com uma grande ruptura para
depois se sentir outro, novo: Sarar de vez e ter ao superar essa dor, evoluído
vidas inteiras.
É hora de cicatrizar o peito e prepará-lo para inaugurar outros tipos de
amores: é certo que vai doer, mas será uma dor nova e tudo que é novo me interessa
muito.
Sacrifício sem motivo não passa de sadismo. Fim à dor estéril e a seu loop recorrente.
Suspiro descompassado, sobram-me penas: Esse meu sentir
parece infindo. Coração fique de fora dessa vez, é tempo da mente, da razão e
da falta de apego a histórias passadas...
Por Pamela Facco









